quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mongólia

A Mongólia é um país diferente. É o lugar anti-cerca, anti-defesa. Na grande estepe, que ocupa a parte central do país, o gado mata a sua fome sem qualquer restrição geográfica. E a ideia de propriedade privada está limitada a uns 40 metros quadrados que qualquer cidadão pode chamar de seu a partir do momento em que arma ali a sua tenda.

Historicamente ligado a diversas deslocações guerreiras (os hunos vieram dessa região e mais tarde Gengis Kan), este é também o povo que ostenta ter sido uma das principais razões da construção da Grande Muralha da China. Que, ainda assim, não serviu de barreira à invasão do seu território.

Glórias passadas movem moinhos, parecem dizer hoje os mongóis. Depois de ter sido subjugado pelos chineses e depois pelos russos, o país hoje tenta recuperar o tempo perdido através do culto de uma história que aos olhos dos mongóis foi grandiosa. Daí que quase tudo na capital Ulan Batar receba o nome do mais famoso mongol. Chingis Kan, como o chamam, dá o nome ao aeroporto, à cerveja, e o seu retrato está numa das montanhas que cerca a capital.

Com 30% da população nômade, viver em tendas e cultuar as forças da natureza são hábitos comuns mesmo entre os que vivem nas cidades.


Na parte central do país predominam as estepes, como na imagem acima. Onde o pasto é nativo e a agricultura é praticamente inexistente. O oeste e norte são montanhosos e no sul está o deserto de Gobi.

Acampamento real construído à maneira do século 16. Serve como atração para os turistas.




Os cavalos mongóis são uma raça autóctone e ocupam um lugar especial no panteão nacional. Por serem sobretudo pastores nômades num país com grande extensão territorial, os mongóis associaram ao animal as melhores qualidades. E essa admiração revela-se através da música e de outras atividades culturais. Ainda hoje uma das mais importantes festividades nacionais são as corridas de cavalos, em que os animais percorrem entre 20 e 30 km num galope alucinante.

A tenda mongol é revestida de lã de carneiro e no centro fica um braseiro. Tudo para ajudar à sobreviver a temperaturas que chegam a 50 graus negativos. Esta é um hotel. O banheiro é coletivo e fica do lado de fora.


As tendas nas imediações da cidade. Muitos mongóis, mesmo vivendo em casas urbanas, têm a sua tenda no jardim.


O retrato de Chingis Kan em Ulan Batar.


Caixas de banana ganham nova vida como prateleiras improvisadas nas ruas de Ulan Batar.

As imagens a seguir são de um templo budista tibetano no centro de Ulan Batar que possue inúmeras representações do inferno.













Imagem externa do templo. Trata-se de um dos poucos que foi não destruído pelos russos na década de 30. No início do século 20, a Mongólia tinha 750 monastérios e um terço da população masculina era monge.

Acima um exemplo de escrita mongol feita à maneira chinesa. Como bons nômades, os mongóis não tinham escrita até o século 13. Foi Chingis Kan quem ordenou a adoção de uma escrita adaptada do Uigur (língua falada por este povo de origem turca que habita parte da Mongólia, China e Cazaquistão entre outros). Hoje, por imposição russa, o cirílico é a escrita utilizada. O país teve ainda outras escritas. Situação que me parece extraordinária e que revela um pouco da tenacidade desse povo, que voltou a poder utilizar a antiga escrita.

Jamiyansuren, autor da caligrafia da imagem anterior, que me levou a conhecer a biblioteca nacional e a sua coleção de sutras budistas.





Dança do budismo tibetano que serve para exorcizar os demônios. Tradicionalmente os lamas usam máscaras que representam diversos tipos de demônios.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Bai Juyi




Poeta, também da famosa dinastia Tang, Bai Juyi ou Po Chui-i (772-846) distribuía cópia dos seus poemas aos empregados para que os lessem e comentassem. Caso houvesse quem não compreendesse o sentido do poema, Juyi reescrevia-0. Foi muito popular no seu tempo e ainda hoje é muito lido na China e no Japão.


Drunk again


Last year, when I lay sick,

I vowed

I'd never touch a drop again

As long as I should live.


But who could know

Last year

What this year's spring would bring?


And here I am,

Coming home from old Liu's house

As drunk as I can be!


Tradução de Henry Hart


segunda-feira, 1 de março de 2010

Myanmar

Myanmar. A ex-Birmânia, ex-colônia inglesa, mudou de nome em 1989. Os militares, que ainda estão no poder, escolheram uma designação que pudesse unir as mais de 130 etnias que vivem naquela geografia (a etnia bamar é apenas uma delas). Myanmar, segundo um dos nosso guias, significa rápido e forte.

Estivemos em três locais: Yangon, Bagan e o lago Inle. Tudo ali gira em torno da tradição do budismo teravada. Uma das mais antigas e ortodoxas escolas budistas, que domina os países daquela região (Sri Lanka, Tailândia, Laos, Cambodia e Bangladesh). Os templos e mosteiros são o centro da vida cultural e religiosa. São por isso locais cheios de vida e gente.

A figura do buda em Myanmar tem características próprias. Muito diferente do chinês ou japonês (feição claramente masculina e ventre saliente). Como se vê na foto abaixo, ali o buda é uma figura esquia, coberta por um delicado vestido, e com traços mais femininos.

Bagan é o principal lugar de interesse. Apesar de ser hoje um pequeno lugarejo, reúne numa área de 5okm2 cerca de 2 mil templos e pagodas. Construídos entre os séculos 11 e 13, eles marcam a época de expansão do budismo teravada naquela região.



Uma amostra da escrita do Birmanês. Língua da família sino-tibetana.









As imagens acima são de templos em Yangon.
Abaixo Bagan.






Lago Inle. Há 100 anos foi ocupado por um povo que vivia no litoral oeste do país. Hoje a população está adaptada à vida sobre a água. Dos remadores (foto a seguir) que usam a perna para remar aos campos de cultivo flutuantes (ao fundo).






Venda de DVD na feira de Inle.
De volta à Yangon, visitamos outros templos. Este é um dos muitos budas deitados que vimos durante a viagem. Em Myanmar, as pegadas do buda têm desenhos especiais e são muito cultuadas.
Abaixo imagens de um mosteiro em Yangon. Era hora da sesta. Os monges fazem apenas uma refeição por dia e deve ser antes das 12h. Depois do descanso, seguem-se as orações e outras tarefas.




Na rua em Yangon, um rapaz faz garapa. A cana, aliás, foi levada dessa região para o Brasil pelos portugueses.



Uma rua da antiga zona inglesa de Yangon.


Show de marionetes para turistas em Yangon.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Macau e Hong Kong

Hong Kong e Macau. Duas experiências distintas de colonização europeia estão hoje estranhamente próximas, dada às suas tentativas de reinventar a experiência política chinesa através da sua "herança" ocidental maldita. São lugares realmente complexos. E à procura de uma solução para evitar a sua completa extinção no mar de 1,3 bilhão de co-cidadãos logo ali ao lado.

Para os falantes do Português, Macau é uma espécie de alucinação. Por todo lado, o passeante vê a sua língua exposta como um troféu. Mas não há ninguém que a utilize (somente 3% da população fala o Português). As ruas possuem um segundo nome em chinês que não tem nenhuma relação com a designação em Português. São dois mundos paralelos, sendo que um deles existe somente como identificação de um passado culturalmente alheio à maioria da população.

Vejam as imagens. Primeiro Hong Kong. Que os chineses chamam de Xianggang: porto ou baía perfumada.














Macau. Ou Aomen: porta da baía. O seu território era basicamente uma península, hoje estão ocupadas mais duas ilhas, que conquistaram terra ao mar. São 700 mil habitantes e uma legião de turistas chineses que vem jogar nos cassinos. O chinês precisa de uma autorização especial e só pode obtê-la de 2 em 2 meses e se não for funcionário público.

A decoração para o ano novo chinês estava sendo colocada numa das praças do centro histórico.


Esta ruela poderia ser numa cidade brasileira...






Ao fundo, a Igreja de São Paulo, construída no séc. 16. Sofreu três incêndios, depois do último, não houve quem se interessasse pela sua reconstrção. Ficou somente a fachada.

Ao fundo os novos cassinos. A arquitetura pode ser assustadora.
Portuguesa, com certeza.

Os cassinos americanos. Este é o MGM de Las Vegas.

Os templos taoístas estavam todos em plena função com a aproximação do ano novo (dia 13 de fevereiro). Muita gente queimando incenso com os pedidos escritos nos papéis vermelhos.